25 Junho, 2009...12:35 am

A profissional da baliza

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Moro num bairro cujo transito é caótico e o crescimento demográfico não para. Por isso, em quase todas as vezes que chego a casa, não encontro vagas ou encontro balizinhas minúsculas e nunca arrisco. Hoje foi um dia excepcional e de muito orgulho minha gente, entrei com o Ford Karla na balizinha sem vergonha que desafia todos os motoristas desse Brasil (sil sil).

No momento em que eu entrava, pela segunda vez, no estacionamento percebi uma vaguinha looooonge e lembrei “putz, é aquela baliza que só cabe meu dedo”. Vi também que tinha um homem, repito UM HOMEM, que pelejava para entrar com seu Fiat Uno naquela vaguinha. Enquanto ele tentava, eu esperava para poder passar com o carro e adivinhem só, ele desistiu e colocou numa vaga recém liberada mais a frente. Naquele momento meu extinto feminista falou bem mais alto, na verdade meu extinto feminista gritou, esbravejou algo parecido com “mostre a ele que você pode fazer o que ele não pôde”. Muito embora o tal homem estivesse pouco se lixando para minha inútil alto-afirmação eu fui, pois estava movida por um orgulho que, naquele momento, nada podia deter!

Parei o Ford Karla ao lado do carro que estava à frente da vaga (no alto da minha emoção, não pude notar qual era o carro) e comecei a usar minha noção de espaço no ponto da mais alta potência. Aquela disputa que o adversário nem sabia que estava participando me movia intensamente. Emparelhei o carro. Volante totalmente girado para a esquerda e engatei a marcha ré. Fui, fui, fui mais um pouquinho e comecei a desfazer. Estava tudo sob controle. Meu carro encontrava-se na posição diagonal, já era o momento de desfazer tudo até chegar ao limite, que era a dianteira do carro de traz. Pronto, agora só precisava girar todo o volante novamente para a esquerda e acertar um pouquinho para frente. Missão cumprida.

Saí do carro e chequei se havia realizado um feito. A vaga era tão pequena que um outro carro com um outro motorista jamais estacionariam ali. Quando vi minha baliza tão bem feita me senti “a profissional da baliza”. Fiquei tão orgulhosa que saí com uma cara de metida, andando com um gingado bem metido e rodando a chave nos dedos de um jeito bem metido. Para me certificar do fato olhei uma três vezes para traz e entrei em casa feliz da vida.

Eu ia postar as fotos aqui, mas quando saí para registrar o momento, o meliante dono do carro de traz havia fugido com a prova do crime e não pude registrar. Mas acreditem em mim, estou acostumada a fazer balizas, porém algumas, como a de hoje, são bem desafiadoras!

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